O homem sempre procurou respostas às perguntas básicas
da existência: Quem sou? Qual é o propósito de minha
existência? Por que existe o mundo? Seguimos existindo depois
que o corpo físico completou sua tarefa?
Cada um à sua maneira tenta responder a tais perguntas a
partir das fontes de informação de que dispõe. Cada um de nós
formula sua concepção do mundo a partir de sua experiência. A
realidade e a vida cotidiana encarregam-se de pôr à prova
constantemente esta percepção, obrigando-nos a reagir, melhorála
ou então mudá-la. Alguns o fazem conscientemente, em outros
ocorre como um processo inconsciente.
A necessidade de efetuar mudanças e de procurar respostas
provém do desejo de receber prazer e de evitar o sofrimento. As
leis da natureza, nossa experiência de vida e a conduta das
criaturas viventes nos ensinam que não existe um modo lógico
de evitar por completo o sofrimento. Neste sentido, somos iguais
aos demais seres vivos. Uma vaca, uma rã ou um peixe também
procuram, à sua maneira, a maior quantidade de prazer com a
menor quantidade de esforço.
As questões essenciais a respeito do ser humano agregam
outra dimensão ao sofrimento humano. Não nos permitem nos
sentirmos satisfeitos mesmo depois de termos alcançado tal ou
qual objetivo particular. Ao atingir a meta ansiada, sentimos
rapidamente a carência de algum outro prazer. Isto nos impede
de desfrutar nossas conquistas, reativando assim o nosso
sofrimento. Vemos retrospectivamente que gastamos a maior
parte do tempo esforçando-nos por atingir nossos objetivos,
obtendo muito pouco prazer pelo sucesso em si.
Nos últimos anos iniciou-se uma busca em massa a nível
mundial por respostas. Muitos se voltam para o longínquo
oriente e para a Índia em busca da verdade. Alguns encontram
satisfação temporária mediante técnicas e procedimentos de
relaxamento ou de redução do sofrimento por minimização das
expectativas e da força do desejo.
Estas ações meramente camuflam o fato de que não se tem
obtido satisfação. Diversas formas de meditação, alimentação e
exercícios físicos e mentais aquietam os instintos animais do ser
humano, permitindo-lhe sentir-se fisicamente mais confortável.
Sente-se senhor de suas reações, desenvolvendo a autoconsciência.
Aprende a escutar as necessidades de seu corpo e de
sua personalidade e a satisfazê-las. Este procedimento, que lhe
ensina a diminuir suas expectativas, representa uma mera
alternativa aos seus verdadeiros desejos.
Em lugar de soluções, recebe anestesia local na fonte de
seu sofrimento. Mas quando os efeitos da anestesia desaparecem,
descobre que não pode ignorar a verdade: minimizar o desejo de
receber prazer não nos permite escapar dele. Qualquer um que,
tendo escolhido este caminho, realizar um honesto auto-exame,
comprovará que ainda não atingiu o objetivo desejado – deixar
para trás o sofrimento e encontrar prazer ilimitado.
Há também aqueles que procuram uma explicação lógica do
universo por meio da investigação científica.
As leis da natureza e da conduta humana têm sido
estudadas durante milhares de anos. Nos últimos cem anos,
desde que o pensamento científico se tornou um instrumento de
estudo legítimo dos fenômenos naturais do nosso mundo, tem-se
alcançado significativos progressos.
A ciência baseia-se em pressupostos lógicos, investigação
confiável e dados quantificáveis. O progresso que trouxe ao
mundo é inegável, mas limitado. O que não pode ser medido por
instrumentos científicos fica fora de seu alcance. O alma do
homem, sua conduta e suas motivações se encontram fora dos
limites de um autêntico estudo científico.
Michael Laitman



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